Top – Os Melhores Filmes de 2016

 

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Um pouco atrasado, mas ainda em tempo.

Em 2016 vi mais filmes do ano do que em qualquer outro ano em que montei essa lista. Talvez por isso, o número de filmes que não sobreviveram ao corte que mereciam estar aqui tanto quanto aqueles que sobreviveram tenha sido maior a ponto de eu estar escrevendo esse texto e ainda estar em dúvidas sobre se as decisões foram corretas ou não. Se foram, só o tempo dirá, mas, por ora, acho que são essas obras as que mais conquistaram e que merecem um lugar nessa lista.

Para deixar claro, os selecionados para figurarem nessa lista tiveram que preencher dois critérios: me conquistarem de alguma maneira e estrearem em circuito comercial no Brasil em 2016, seja cinema ou VOD. Dito isso, chegou a hora de falar daqueles que considero como os melhores filmes de 2016. Preparados?

20 – Para Minha Amada Morta (Para Minha Amada Morta), dirigido por Aly Muritiba.

Luto é uma das coisas mais difíceis de lidar na vida. Perder alguém amado é de uma dor tão excruciante que é quase impossível de suportar e você nunca se recupera completamente da perda. Imagina então descobrir que tudo aquilo que você achava que a pessoa era, toda a relação que você tinha construído com a pessoa amada era uma mentira? É a partir dessa premissa que Muritiba constrói um filme tenso, contido e extremamente aflitivo que merece ser vista. Uma pequena pérola do Cinema nacional que abre essa lista com todos os méritos possíveis.

19 – Elle (Elle), dirigido por Paul Verhoeven.

Temos aqui uma trama com várias camadas de interpretação e inúmeros subtextos, uma direção inteligente que conduz o filme com uma amoralidade precisa e mesmo assim tudo fica em segundo plano diante do trabalho ótimo de Isabelle Huppert como a protagonista do filme. Dispensando todo e qualquer carisma do público, Huppert constrói sua Michèle de maneira calculista, transformando o seu rosto em um enigma cujo o espectador tentará resolver e compreender durante pouco mais de duas horas e que ainda terminará a sessão sem tê-la decifrado por completo. Por mais que eu não possa dizer que o filme teria pouco a oferecer sem ela, é por causa do trabalho preciso de Huppert que Elle abocanhou um lugar nessa lista.

18 – Piper: Descobrindo o Mundo (Piper), dirigido por Alan Barillaro.

Usualmente as pessoas costumam desconsiderar bastante curtas-metragens e principalmente curtas de animação, e eu, embora não me encaixe nesse grupo, admito que não esperava muito desse curta exibido antes das sessões de Procurando Dory. No entanto, após vê-lo, não tive como não me render aos encantos deste curta. A simplicidade dramática somada ao carisma do personagem-título e ao visual arrebatador originam um dos curtas mais lindos que eu já vi e que não saiu da minha mente desde que o vi pela primeira vez. A beleza estética e dramática deste curta mais do que justificam sua aparição e posição nessa lista.

17 – A Bruxa (The VVitch: A New-England Folktale), dirigido por Robert Eggers.

Quando terminei de assistir ao filme a primeira coisa que fiz foi procurar o que o diretor já havia feito e fiquei estupefato em perceber que essa era a primeira direção dele em um longa-metragem. Eggers apresenta aqui um domínio visual e narrativo tão grande que já seria impressionante por si só e o fato de ser sua estreia em longas só torna a qualidade desse trabalho ainda mais incrível. A maneira como ele estabelece a atmosfera tensa da história e a como conduz essa tensão durante todo o filme sem apelar para recursos fáceis é tão admirável que seria impossível deixar esta obra de fora dessa lista. Harvey Scrimshaw, Anya Taylor-Joy e, principalmente, Black Phillip se destacam.

16 – Zootopia – Essa Cidade É o Bicho (Zootopia), dirigido por Byron Howard e Rich Moore.

Política e socialmente relevante, ocasionalmente engraçado e mais inteligente do que aparentava ser, Zootopia foi uma das maiores surpresas do ano e merece um lugar nessa lista. Para uma justificativa mais detalhada, leia o meu texto sobre o filme aqui.

15 – Boi Neon (Boi Neon), dirigido por Gabriel Mascaro.

Não é muito fácil para o público acostumado com roteiros excessivamente explicativos embarcar na proposta de Boi Neon, mas para aqueles que se permitirem fazê-lo, certamente serão recompensados. Através de um olhar sutil sob três personagens, Mascaro monta um retrato duro sobre desejos e vontades reprimidos que é poderoso e que oferece mais substância do que pode parecer inicialmente. E faz isso embalado por uma das fotografias mais lindas do ano. Cazarré e Jinkings estão maravilhosos aqui e sustentam boa parte da força da obra.

14 – Indignação (Indignation), dirigido por James Schamus.

Também lidando com repressão, Indignação garante um lugar nessa lista por um motivo diferente de Boi Neon. Enquanto o último conseguiu por uma contemplatividade natural e elenco extraordinários, o primeiro conseguiu pelo conjunto da obra. Não há qualquer aspecto abaixo de bom aqui. A direção segura, o elenco afiado, é esteticamente um dos mais corretos (não no sentido pejorativo da palavra) do ano e o roteiro nos proporciona um punhado de cenas inesquecíveis. Ainda que eu ache que é uma obra que poderia ir mais longe, a qualidade apresentada é tão inegável que não poderia faltar nessa lista.

13 – Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight), dirigido por Thomas McCarthy.

Esteticamente é pouco inspirado? Sim. Entretanto, um elenco uniforme, um roteiro excelente, uma montagem exemplar e um tema necessário de se debater conseguem superar essa carência de inspiração visual e conferem a Spotlight uma grande força que justifica a sua vitória na categoria principal no Oscar desse ano, mesmo sem ser o maior vencedor da noite. Um dos poucos casos onde o todo supera as expectativas.

12 – Os Oito Odiados (The Hateful Eight), dirigido por Quentin Tarantino.

Embora muitos digam que esse é o pior filme do Tarantino e que ele anda perdendo a mão, eu discordo a ponto de colocá-lo em uma posição alta nessa lista. Os diálogos maravilhosos estão lá, o elenco excelente também (Jennifer Jason Leigh, eu escolhi te amar) e dessa vez temos isso acompanhando por uma fotografia maravilhosa e Ennio FUCKING Morricone na trilha. Quer dizer, precisa de mais?

PS: Precisa sim. Uma montagem melhor não faria nada mal, mas o resultado já faz a sessão valer MUITO a pena mesmo assim.

11 – O Quarto de Jack (Room), dirigido por Lenny Abrahamson.

Uma mãe é sequestrada e tem que cuidar de seu filho no cativeiro onde o sequestrador lhe “visita” ocasionalmente. Não parece algo fácil de assistir, né? Entretanto, Abrahamson tem uma delicadeza enorme ao tratar o carregado drama e nos coloca do ponto de vista do ingênuo Jack (belissimamente interpretado por Tremblay, com um talento além de sua idade). Sem entregar detalhes da trama, o que posso dizer pra justificar é que é impossível terminar de vê-lo sem sentir o impacto.

10 – Sing Street: Música e Coração (Sing Street), dirigido por John Carney.

Não há nada relativamente grandioso em Sing Street. Não existe a melhor atuação dos últimos tempos, não tem o roteiro mais fodástico do século, não é revolucionário ou algo do tipo. O que nos apaixona por ele é a incrível alma que sentimos em todos os frames. Carney dirige o filme com tanto esmero e paixão que somos capazes de sentir isso durante toda sua duração, somos capazes de compartilhar seu interesse sobre estes imperfeitos e inconstantes personagens e de nos emocionar com seus conflitos por mais frívolos que eles pareçam. Isso sem contar o grande número de músicas que garantem um lugar na playlist após a sessão. Às vezes, não ser ambicioso e saber aproveitar a ausência de ambição é tudo o que um filme precisa para ser bem-sucedido.

9 – Mogli, O Menino Lobo (The Jungle Book), dirigido por Jon Favreau.

“Mais um remake?” foi o que pensei quando soube que este filme seria produzido. Depois do inócuo Malévola e do fraco Cinderela, achava que este Mogli seria uma perda de tempo. Felizmente eu estava bastante enganado e Mogli tinha mais a mostrar do que eu esperava. Tecnicamente impressionante (não dá pra aceitar que este filme foi feito em estúdio!), muitíssimo bem dublado, com uma direção inspirada e um ritmo contagiante, Mogli reverencia a narrativa clássica da Disney ao mesmo tempo em que oferece a ela uma embalagem nova que combina com a trama melhor do que combinava com a animação. Um “family friend movie” pra ninguém botar defeito.

8 – O Conto dos Contos (The Tale of Tales), dirigido por Matteo Garrone.

Há algo mágico em torno de O Conto dos Contos que prende nossa atenção desde o primeiro minuto. Quase que um Once Upon a Time macabro (só que bem melhor que a série), o filme nos conta paralelamente três histórias de contos de fada (?!) com um tom pessimista e sombrio que, mesmo perdendo o ritmo aqui e ali, nunca deixam interesse do público se esvair por completo e tem um dos melhores finais do ano. Poderia estar mais abaixo, sem dúvidas, porém o fascínio que ele exerceu sobre mim é tão único que não tive como fazê-lo.

7 – Anomalisa (Anomalisa), dirigido por Charlie Kaufman e Duke Johnson.

Completamente fora da caixinha e inteligente como poucos, Anomalisa aproveita uma premissa curiosa para trazer à tona questões sobre amor, egocentrismo, padrões de beleza, autoconsciência e várias outras que preenchem a obra de significado e humanidade. No meio de toda essa loucura, há uma profundidade que está escassa no Cinema e que já justifica a posição do filme aqui. Aliás, só a cena de Girls Just Wanna Have Fun colocaria o filme no top 10. Simplesmente único!

6 – Aquarius (Aquarius), dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Se existem filmes que figuraram nessa lista por fazerem ótimos estudos de personagens, Aquarius está na frente de todos eles por somar o estudo de personagem ao um retrato sociológico impecável. A resistência de uma pessoa ao sistema, o apego à história sendo prioridade em detrimento do avanço, o individual colocado à frente do coletivo… há tanta riqueza de interpretações aqui que é impossível focar só em uma pra falar sobre. Quer dizer, é possível sim por causa de Sonia Braga. A mulher está simplesmente uma força da natureza aqui e se torna tão dona e proprietária do filme quanto Mendonça Filho, talvez até mais. O filme que melhor representa o Cinema nacional em 2016, sem dúvidas.

5 – Procurando Dory (Finding Dory), dirigido por Andrew Stanton.

Muitos subestimaram este Procurando Dory por ser inferior ao primeiro e eu juro que não entendo o porquê, já que o primeiro é uma obra-prima e se igualar àquele nível seria algo impossível. Mesmo assim, o que Procurando Dory é já derruba todo e qualquer argumento possível das pessoas que colocam este filme num patamar abaixo dos destaques da Pixar. O filme consegue usar bastante flashbacks sem fazer com que isto se torne excessivo, consegue fazer toda uma metáfora sobre superar deficiências sem tornar isso explícito ou sua maior qualidade, homenageia uma de suas maiores obras sem esquecer que esta continuação precisa se segurar por si só, isso sem falar do visual que é tão ou mais impressionante que o de Nemo. Colocando o humor sem desconsiderar a seriedade do conflito da protagonista, o filme é um grande acerto e merece todos os aplausos possíveis.

4 – Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings), dirigido por Travis Knight.

Deixando interpretações, camadas e mensagens políticas/sociais de lado, Kubo representa o poder cru de uma boa história sendo bem contada. Não há grandes reviravoltas nem nada disso, um teor místico que encanta facilmente, uma trilha sonora linda de se ouvir, personagens carismáticos e uma poesia visual e dramática que não costumamos encontrar em animações ocidentais (aliás, é significativo perceber que precisaram ambientar a trama no oriente para atingirem esse resultado). Uma obra que fica com você mais por como ela está contando a história do que pelo o quê está sendo contando e isso é um grande mérito.

3 – O Lagosta (The Lobster), dirigido por Yorgos Lanthimos.

Se você estivesse solteiro em uma sociedade que lhe obrigasse a encontrar um parceiro em um certo período de tempo antes de você se tornar um animal, qual animal você seria? Uma pergunta estranhíssima, mas que reflete bem o quão peculiar é este O Lagosta. A visão ácida sobre relacionamentos amorosos e sobre como a sociedade enxerga as pessoas quanto a eles me proporcionou uma das experiências mais originais e criativas do ano que se passou, e com certeza uma das que mais recomendo. O início do pódio não poderia estar em melhores mãos.

2 – A Chegada (Arrival), dirigido por Denis Villeneuve.

Alguns filmes acrescentam a bagagem cinematográfica, outros mudam sua visão de vida, no entanto, são raros aqueles que fazem ambos ao mesmo tempo e A Chegada é um deles. Em uma direção nada menos que espetacular, Villeneuve conduz o espectador por uma montanha-russa emocional e racional que, ao invés de se atrapalhar em sua ambição, atinge o máximo de efeito em fazê-lo refletir sobre e sentir o filme na mesma intensidade. Ao termina-lo, a sensação de ter sido atingido por alguma coisa que você não sabe bem o que é, é inevitável. Amy Adams brilha, a trilha é nada menos que genial e a montagem é essencial para que o filme seja efetivo por completo.

1 – Carol (Carol), dirigido por Todd Haynes.

Já falei tanto sobre Carol e ainda acho que falei pouco. Foram mínimas as vezes onde a excelência técnica contribuiu tanto para um filme quanto para este aqui: a fotografia feita em Super 16 mm auxilia na reconstrução de época além de conferir um charme visual ao filme, os figurinos e a maquiagem contam uma história por si só (reparem no uso da cor vermelha), a trilha sonora torna-se um personagem ao imprimir delicadeza e/ou dor à história de amor das protagonistas e isso tudo carrega o selo já conhecido de elegância de Todd Haynes, que ainda toma algumas decisões acertadas como nunca deixar a bandeira política falar mais alto, mesmo que esta seja de inegável importância. Mas tudo isso seria em vão se as atuações não fossem, no mínimo, excelentes e, por melhores que sejam os coadjuvantes, é necessário falar de Blanchett e Mara. Enquanto a primeira transita entre a maturidade que carrega e a fragilidade da situação em que vive, a segunda transmite a incerteza da juventude com uma mescla de curiosidade e medo de estar apaixonada por alguém que “não deveria” estar. Ainda assim, é quando as duas esbanjam química em tela que o filme atinge o seu ápice, já que do primeiro ao último encontro, passando pela mais bela cena de sexo que eu já vi, somos envolvidos pela sensação de estarmos diante de uma das maiores histórias de amor já contadas no Cinema. Carol não é apenas um filme, é um monumento ímpar e não teria como não levar o ouro dessa lista. O melhor de 2016 e um dos melhores da minha vida.

 

Para deixar a lista um pouco mais completa, cito como menções honrosas Brooklin, Tangerina, Steve Jobs e Creed – Nascido Para Lutar, pois eles ficaram alternando entre estar dentro e fora da lista, mas acabaram ficando de fora, infelizmente.

E esta foi minha lista dos melhores filmes de 2016? Gostaram? Odiaram? Quais ocupariam as listas de vocês? Espero que 2017 seja um ano tão bom quanto o ano passado e que os blockbusters melhores porque nesse ano… Só Kubrick na causa!

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