Review: The Casual Vacancy S01E02/03 – Episode 2 / Episode 3 [Series Finale]

TCV - 3

Um grande “meio”.

Essa foi a minha sensação após o término dessa minissérie. Tivemos a introdução no primeiro episódio e dois episódios de desenvolvimento, sem nenhuma conclusão realmente satisfatória. Não que isso por si só seja um problema, nada disso, o caso é que aqui isso foi feito de forma muito ambiciosa e que resultou em pouco impacto.

Durante o primeiro episódio vimos toda uma expectativa ser criada em torno do Fantasma de Barry Fairbrother, como se esse “personagem” fosse se tornar essencial nos dois episódios que viriam em seguida. Sua importância não pode ser negada, é claro, mas nem de longe ele chegou a ser tão central quanto foi sugerido. Depois de destruir ainda mais a imagem de Simon e de tentar fazer o mesmo com a de Miles, o personagem simplesmente sumiu. E o mistério sobre quem seria o Fantasma? Resolvido em segundos e de uma maneira bem desinteressante.

Já que o mencionei, preciso falar que o desenvolvimento de Simon me decepcionou bastante. Depois de ser mostrado como um personagem violento e intolerante, ele termina a série de forma bem diferente sem ao menos termos visto algum sinal dessa mudança, nem mesmo quando ele descobriu que o próprio filho era o Fantasma vimos uma diferença qualquer em seu comportamento. Para outro personagem que prometia tanto, essa falta de preocupação com o seu desenvolvimento é preocupante.

Ainda falando dos candidatos que disputavam a vaga do Conselho, Miles conseguiu ter uma participação mais eficiente na série do que eu esperava. Com uma transição orgânica do filhinho que faz tudo o que os pais mandam para alguém com alguma atitude, Miles ganhou a vaga deixada por Barry e perdeu, mesmo que momentaneamente a sua esposa, o que foi o bastante para vê-lo se impor diante dos pais (ou da mãe, mais especificamente). Uma mudança “menor” e bem conduzida. O mesmo não posso falar da trajetória de Samantha, que nunca convencia e sempre parecia superficial, mesmo que a atriz estivesse simpática no papel.

Se o filho teve um bom destaque, o mesmo pode-se dizer dos próprios Mollisons, que certamente foram o grande acerto da série. Gambon e McKenzie simplesmente brilharam a cada segundo que passavam em tela, pois esbanjavam simpatia e talento mesmo com personagens tão desagradáveis. E a prova dessa simpatia é que quando Shirley descobre que Howard a traiu, não há prazer em ver aquele momento, pois por mais desagradáveis que os personagens sejam, você torce para que eles sejam desagradáveis juntos.

Pra terminar de falar sobre os adultos, devo dizer que nenhum deles me chamou a atenção positivamente, isso quando nem chamava atenção. Mary como viúva de Barry serviu como objeto cênico e só. Parminder só veio pra entregar um bom discurso na cena do jantar e nada mais. Tess andava pra lá e pra cá, mas nunca conhecemos a personagem de fato. Os respectivos maridos das duas últimas citadas eram mais uma função do que personagens em si. Enfim, no geral foi um grande desperdício!

O núcleo jovem conseguiu ser mais bem aproveitado, como o trio formado por Andrew, Stuart e Gaia, que passou por esses episódios de forma mais marcante do que os adultos. Esses três conseguiram retratar eficientemente cada tipo de jovem que representam, seja nas relações entre eles e seus familiares ou entre eles mesmos. Dentre eles, dou um leve destaque a Andrew, pois Joe Hurst defendeu seu personagem competentemente, sem cair em escolhas fáceis.

Mas é claro que eu não poderia deixar de falar dos adolescentes sem falar sobre a melhor deles. Krystal é, de longe, a personagem mais aprofundada de toda a série, e essa escolha de palavras não foi apenas para fazer um trocadilho com o destino da personagem. Tendo que cuidar de uma criança, perdendo seu ponto de apoio há pouco tempo, enfrentando um mundo pesado demais para qualquer, nos afeiçoamos a Krystal a ponto de que seu destino seja aquele pelo qual mais nos interessemos legitimamente, portanto é um pouco desapontador ver a personagem receber um fim um tanto estúpido.

Sua morte “ao acaso” não funciona sob nenhum ponto de vista dramático, não consegue fechar um ciclo da única personagem que merecia receber um final mais apropriado. Não consigo nem reclamar da morte em si (um suicídio ou um assassinato seriam mais funcionais, por exemplo), e sim de que esse fim deveria ter algum significado maior, algo que fosse relacionado com o que vimos da personagem até então. Ficou a impressão de que decidiram fazer isso apenas para causar algum choque e, infelizmente, não funcionou.

Um último ponto que tenho para falar sobre os episódios é que vi muita gente reclamando que a história é pouco interessante e concordo com essas pessoas, contudo, discordo de quem acha que isso é um fator que prejudica a série. Desde seu primeiro momento, The Casual Vacancy se estabeleceu como um estudo de personagens, portanto já era esperado que o enredo em si fosse deixado em escanteio, o que enfraqueceu a série mesmo foi que o desenvolvimento dos personagens não foi bom o bastante para suprir a falta de uma trama mais substancial, o que é uma pena, pois potencial tinha.

Chegamos ao fim dessa minissérie com um resultado pouco satisfatório e mesmo assim é difícil dizer que eu não tenha gostado dela. Por mais paradoxal que seja e decepções à parte, eu afirmo que poderia passar mais dois ou três episódios com os habitantes de Pagford desde que isso significasse um desenvolvimento mais apropriado dos mesmos. É triste saber que muito do que vimos em tela não recebeu a atenção que merecia para fazer desta minissérie uma pequena pérola. Definitivamente um dos potenciais mais desperdiçados que já vi.

 

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