Review: Sleepy Hollow 1×12/13 – Indispensable Man / Bad Blood [Season Finale]

Sleepy Hollow - 1x13

Encerrando a temporada de estreia da melhor maneira possível.

Durante toda a temporada tivemos ótimos episódios, alguns mais marcantes, outros nem tantos, mas fazendo com que o saldo até aqui tenha sido bem positivo. O único problema é que ainda faltava aquele episódio que explodisse nossas cabeças, que nos deixasse sem ar, que nos fizesse montar mil e uma teorias para o que viria a seguir… Em outras palavras, faltava o “booom” da série, e fico feliz de dizer que este momento chegou. A finale dupla começou um tanto aquém do que eu esperava, mas a segunda metade do episódio (que é de fato a “season finale” desta 1ª temporada) melhorou significantemente e fez jus ao nome de “season finale”.

Indo por partes, o 1×12 começou com Crane seguindo a pista encontrada por eles na bíblia de Washington e com Abbie recebendo a visita do invasivo Andy e seguiu basicamente essas duas tramas (com exceção da trama de Frank, mas isso será comentado mais tarde). Acho ambas as tramas fracas, pois é um tanto difícil engolir essa história de pistas nos livros e porque nunca achei que Brooks amou Abbie e não seria agora que eu mudaria de ideia, mas felizmente elas melhoraram com o passar do episódio.

A busca pelo mapa que leva até ao purgatório trouxe Henry de volta a série e, infelizmente, sem o brilho de outrora. Pela primeira vez na série achei o personagem deslocado e um tanto mal aproveitado, sendo usado mais como um acessório do que tendo uma participação realmente ativa no caso. Mas isso é mais uma observação do que uma reclamação, já que o episódio focava na relação entre Crane e Abbie, então, mesmo que isso não justifique o mau aproveitamento do personagem, não havia a necessidade de dar um foco que ele não precisava.

Já que o foco foi na relação entre Crane e Abbie, nada mais justo do que falar deles, pois depois de virarem coadjuvantes de sua própria série eles retomaram o posto de protagonistas com louvor. É interessante perceber que por mais que haja uma tensão sexual ali, ela é reprimida pela força da amizade apresentada pelos dois e a alcunha de “testemunhas do apocalipse” que ambos carregam parece manter isso bem mais claro. Um exemplo disso é a cena onde Ichabod queima o mapa que, apesar de ter um enorme potencial para soar romântica, é aproveitada para retratar que a amizade entre os dois é maior do que um possível romance.

Paralelo a esta busca vimos que Andy passou a ser menos um humano e mais um ser sobrenatural, que agora ele pouco controla seus atos e funciona mais como uma marionete de Moloch do que qualquer outra coisa. O personagem começou de forma bastante interessante e teve um desenvolvimento aceitável, mas é fato que ele termina a temporada com menos brilho do que tinha inicialmente e isso é um ponto negativo a se notar. Uma pena, pois John Cho tem bastante carisma e espero que ele retorne para a próxima temporada e que os roteiristas tragam momentos mais inspirados para ele.

Antes de encerrar os comentários sobre a primeira parte dessa finale, ainda tenho que falar sobre o Capt. Frank, que após ficar boa parte da temporada sem mostrar a que veio finalmente chamou a nossa atenção. Concluindo o que foi deixado em aberto da trama da possessão do episódio passado, ver o personagem se entregando pela filha foi comovente e um ato que deverá refletir em como funcionará a dinâmica da série na temporada que vem, pois se agora eles tinham o apoio de Frank na polícia e podiam contar com a ajuda dele para combater Moloch e Cia, como será quando não obtiverem tal auxílio?

Encerrando sua primeira metade mostrando Crane traindo Abbie e reconstruindo o mapa que leva ao purgatório, o episódio termina sem grandes momentos, mas ainda assim mantendo um bom nível de competência, a série nos deixa apreensivo com o que virá pela frente nesta finale dupla e nos faz questionar se a equipe conseguirá entregar um trabalho a altura daquilo que nos foi apresentado durante toda a temporada.

Felizmente posso dizer que eles não só conseguiram entregar um trabalho no mesmo nível como elevaram a série a outro patamar de qualidade. Desde sua cena inicial o episódio deixa bem claro que ele nos traria, no mínimo, vários momentos marcantes, pois começar um episódio com o Devorador de Pecados tendo um pesadelo que sugere o “nascimento” do Cavaleiro Guerra significa que grandes momentos estão por vir.

E esses momentos vieram, a começar pelo tocante momento em que Abbie aceita ir ao purgatório com Crane para salvar Katrina, momento que é precedido pelo último diálogo entre Abbie e Jenny. A relação dessas duas começou esta temporada bem estremecida, mas a cada episódio vimos uma amizade crescer, vimos uma tornar-se cumplice da outra de uma maneira belíssima, tanto que essa preocupação de Jenny com Abbie não soa forçada e a série é realmente bem sucedida ao mostrá-la.

Falando da fantástica viagem de Crane e Abbie ao purgatório, posso dizer que foi bem mais assustadora do que eu poderia ter previsto. Pelos vislumbres que tivemos de lá eu poderia jurar que o purgatório era um lugar onde as pessoas andavam eternamente sem ter para onde ir e que, ocasionalmente, Moloch aparecia para tortura-las/amedronta-las, mas não foi nada disso. Colocado como um ambiente paranoico, imprevisível e repleto de tentações, os momentos que se passaram durante o #PurgatórioTour foram bastante tensas e deixaram qualquer espectador apreensivo sobre o que aconteceria lá, ainda mais com aquela profecia de que Moloch teria a alma de Abbie para si.

Envolvendo a busca de Katrina para ajuda-los a impedir a chegada de Guerra à Terra, no momento em que Crane e Abbie a encontram já dava para perceber que algo estava bastante errado. Deixar Abbie ali significava que a profecia dava um passo a frente em sua concretização, ou seja, o apocalipse estaria cada vez mais perto e infelizmente foi isso o que aconteceu, Abbie ficou no purgatório ao alcance de Moloch enquanto Ichabod e Katrina retornaram à Terra para tentarem impedir o “nascimento” de Guerra. Enquanto isso acontecia, Jenny investigava os arquivos de Corbin e descobria uma igreja abandonada que parecia ser importante, mas que não sabíamos o porquê até então.

A partir daqui o episódio se dividiu dentre essas 3 trajetórias, e começando pela que teve o final mais cedo, falarei de Jenny que após ver o nome da igreja tentou desesperadamente se comunicar com a irmã para avisa-la de algo. É claro que naquele momento já desconfiávamos que a igreja tinha algo a ver com Henry, só não sabíamos o quê, mas no entanto fomos surpreendidos pelo Cavaleiro sem Cabeça (homenageando aquela cena que o fez famoso) colocando Jenny, ao menos por ora, fora de cena.

No purgatório, Abbie lutou diretamente com Moloch e conseguiu encontrar seu “lugar seguro”, e nesse lugar ela acaba descobrindo que durante a primeira vez que ela viu Moloch ela tinha visto mais do que se lembrava. Foi desesperador vê-la presa naquele lugar por saber que ela não pode avisar ou ajudar Ichabod e Katrina antes que algo horrível acontecesse, por ela estar presa numa casa de bonecas (aliás, um parabéns para a direção de arte que fez o ambiente “fofo” causar calafrios pela claustrofobia que transmitia) e pela atuação de Beharie, que mostra aqui o quanto evoluiu desde o piloto.

Chegando à parte que mais marcou a season finale e mais sambou na nossa cara, vamos falar do trio Ichabod, Katrina e Henry. Por um momento eu realmente achei que eles conseguiriam salvar o mundo e se salvarem mais uma vez, mais pelo fato de que durante toda a temporada ninguém realmente havia se dado mal do que por qualquer outra coisa, e ao pensar assim percebo um acerto de planejamento da série. Durante 12 episódios fomos acostumados a um clima de segurança com os personagens e com a trama, nada havia acontecido de alarmante, então nada mais obviamente inteligente do que subverter essa sensação de segurança logo no último episódio, e da melhor maneira possível.

Após Katrina perceber que havia algo errado ali e que não havia um corpo embaixo daquela terra, Henry revela que não é quem pensávamos e que durante todo o tempo estava trabalhando com Moloch. Isso não me surpreendeu nem um pouco, pois há algum tempo eu já vinha desconfiando dele, mas nada havia me preparado para o choque que viria a seguir: Henry é na verdade Jeremy, filho de Katrina e Ichabod. E foi partir desse momento foi que a série finalmente me conquistou de vez.

Não me entendam mal, não é que eu não gostasse da série antes e muito menos porque sou a favor de plot twists inimagináveis, o que me conquistou aqui foi a forma com que essas tramas foram construídas. Vejam só, o fato de Henry estar do lado de Moloch e o fato de que Jeremy voltaria a vida eram duas coisas bastante óbvias, mas aí os roteiristas chegam, misturam essas duas “obviedades” e criam um plot twist máster com direito a cereja em cima. Se isso não é capaz de fazer a série lhe conquistar eu não mais o que seria possível.

Claro que eu não poderia falar dessa parte da temporada sem mencionar John Noble. O ator vem arrancando elogios por minha parte desde sua primeira aparição e com esse episódio ele merece ainda mais. A cena da revelação poderia ser péssima caso o ator que interpretasse Henry não fosse capaz de segurar a carga dramática imposta por aquele momento, mas felizmente temos Noble aqui e ele consegue entregar aquilo que a cena exige e muito mais, fazendo com que os minutos finais sejam deliciosos de se assistir não só pelas revelações que estamos vendo, como também para admirar seu incrível trabalho.

Deixando Katrina nas mãos do Cavaleiro Sem Cabeça, com Ichabod preso no túmulo de seu filho e com Henry/Jeremy quebrando o segundo selo do apocalipse (literalmente) e tornando-se o Cavaleiro Guerra, a série segue para uma segunda temporada deixando todos os seus personagens em situações bastante problemáticas, para dizer o mínimo. Pra mim isso é algo bastante positivo, pois vejo vários possíveis futuros para a série e cada um deles é mais promissor do que o outro.

Encerrando sua primeira temporada, Sleepy Hollow entra no rol das melhores temporadas de estreias que já vi em uma série de fantasia/sci-fi na tv aberta (ficando atrás apenas de Once Upon a Time) e se torna facilmente uma das melhores estreias dessa fall season 2013/2014. Quem diria que uma aposta de guilty pleasure chegaria tão longe? Uma pena que a próxima temporada vá demorar tanto pra chegar.

Observações:
– Mesmo na season finale os roteiristas não se esquecem de mostrar Crane adaptando-se a este século. Imaginar que eu estava reclamando disso na première…
– Só eu senti uma vibe Supernatural aqui?;
– Aposto no surgimento de uma trama “celestial” na próxima temporada, pois essa
é a única forma que eu consigo ver os personagens sendo salvos sem ser algo forçado;
– Imaginem a reação de Ichabod ao perceber que conhecia o filho antes de saber que tinha um filho;
– “That’s one way to enter a room” Jenny sobre Henry entrando na cabana e dizendo que Moloch liberará o inferno na Terra;
– Segue abaixo um pequeno sobe e desce dessa temporada:

SOBE


– Química entre Ichabod e Abbie.;
– O bom aproveitamento de seus personagens secundários;
– Não ter medo de ser “tosca”;
– O bom trabalho da parte técnica;
– John Noble;

DESCE


– Resoluções fáceis para os casos;
– O mau aproveitamento de Katrina;
– O excessivo uso dos personagens como meros instrumentos;

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