Review: Homeland 3×11/12 – Big Man In Tehran / The Star [Season Finale]

Homeland 3x11
Encerrando a temporada com chave de ★

Após duas ótimas temporadas, Homeland entrega uma temporada que demora a engrenar, mas que quando o fez não abandonou mais o ritmo. Desde o meio da temporada (desde o episódio 7, pra ser mais exato), a série vem num ritmo e numa qualidade que não dá pra dizer que foi ruim, mas mesmo com essa melhora e com uma season finale incrível (que talvez seja a melhor da série), ainda é facilmente a mais fraca da série.

No 3×11, vimos Brody dando os próximos passos para a conclusão de sua missão e é incrível perceber o quão ele se torna essencial nessa reta final, mesmo ele nem aparecendo durante metade da temporada (sem fazer falta alguma). Ao começar a dar esses passos, Brody surge mais vulnerável que nunca, ao mesmo tempo em que soa mais perigoso que nunca. Em toda a sua preparação para tentar matar Akbari, vimos um Brody frio e imprevisível, ao mesmo tempo em que percebemos que caso ele apresentasse um momento de fraqueza, esse poderia ser seu fim.

Falando da primeira tentativa de conclusão desse plano, ver o plano de Carrie se desfazer no primeiro segundo foi o estopim para uma das sequências mais tensas da série. A cada momento que se passava antes do encontro, a cada passo que Brody a tensão crescia ainda mais, portanto foi um balde de água fria ver Akbari saindo de cena sem ter sequer dirigido uma palavra à Brody. Por conseguinte, seu encontro com a viúva de Abu Nazir foi interessante de se ver, pois provou mais uma vez que a série não se esquece do seu passado e não olha toda a história apenas de um dos lados.

O anticlímax proporcionado por esse “não encontro” gerou uma das tramas que mais me agradou, pois deu à Carrie a oportunidade de mais uma vez não dar a mínima para as regras da CIA e tentar salvar Brody de qualquer jeito, e por mais que alguns discordem, acusando a série de se tornar incoerente, os momentos proporcionados por Carrie quando ela age dessa forma são os melhores da série.

Dito isso, o segundo encontro entre Brody e Akbari, dessa vez concretizado, não foi tão tenso quanto o primeiro, mas foi bem melhor de se assistir. Eu não caí em momento algum na história de que Brody iria realmente entregar Javadi, então só estava esperando o momento em que ele iria finalizar a tarefa pela qual ele tinha ido à Teerã, no entanto, é de se admirar a construção dessa cena ao apoiar-se na dualidade do personagem, assim como Damian Lewis merece parabéns por conseguir defender essa dualidade de forma brilhante.

Após uma overdose de Brody durante o episódio, o cliffhanger não poderia ser melhor. Recolocando Carrie novamente no meio da ação, a ligação de Brody pedindo para ela salvá-lo deixou bem claro que a season finale seria um episódio mais emocional do que racional e isso me deixou bastante feliz, pois apesar de ser fã de Homeland, essa frieza exagerada da série teria que ser deixada de lado para o acontecimento que ela veio anunciando a todo o momento durante essa pré-finale.

Homeland 3x12

Como foi anunciado, esse 3×12 foi realmente um episódio mais emocional e menos racional, mas, além disso, o episódio focou na relação entre Brody e Carrie durante seus 60 minutos, se despedindo dessa dinâmica de uma forma irretocável. Começando com o primeiro momento em que Carrie e Brody estão completamente sozinhos desde a season finale passada, vimos um raro momento onde ambos se colocam como um casal comum, ignorando qualquer interferência exterior e apenas focando ali naquele momento, tendo direito até a uma DR, dando sinais de que alguma coisa já não estava tão correta.

Se no episódio passado tivemos uma overdose de Brody, aqui fica claro que todo o momento que ele passou em tela nada mais era do que um tributo antecipado a este personagem tão marcante e importante. Aqui a primeira metade do episódio tratou de encerrar esse tributo, encerrando qualquer assunto que o personagem poderia deixar pendente, apenas dando tempo dele dar adeus à audiência e, principalmente, à Carrie.

Embora essa despedida de Brody tenha sido impactante e emocionante, boa parte de sua força teria sido diminuída se não fosse por Carrie, ou melhor, por Claire Danes. É chover no molhado, mas não tem como não elogiar a capacidade dessa atriz de emocionar o público, pois a cada fala percebíamos que sua voz ficava menos firme, a cada olhar desesperado que ela dava (antes de finalmente aceitar a morte de Brody) víamos Danes mostrar uma Carrie bastante abalada e mais frágil do que tínhamos visto na série.

A cada minuto que antecipava a morte de Brody, a série imprimia um clima de negação e aceitação do que estava acontecendo. Ao mesmo tempo em que ela tentava inspirar no espectador a ideia de que “isso não pode estar acontecendo”, mostrava que era preciso o sacrifício de um personagem tão importante para o próprio bem dela. E, finalmente quando o derradeiro momento chegou não foi fácil de ver, não exatamente pelo grau de violência da série, mas sim porque aquilo significa um fim de uma parte importante da série e sempre é doloroso ver algo chegando ao fim.

Mas falando da cena em si, foi tudo construído com bastante cuidado, nada para soar tão emocional ou racional demais, nada tão cruel ou bondoso com o espectador, foi tudo feito na medida exata, o que mais uma vez deixa a equipe da série de parabéns. O último olhar trocado entre Carrie e Brody foi um último olhar entre a Homeland que conhecíamos e cada espectador, sendo o fade out quase que o desfecho definitivo, pois se não fosse a última cena do episódio, pouco teríamos dessa “antiga” Homeland.

Após tal momento, acompanhamos o início dessa nova fase da série com Carrie chegando ao fim de sua gravidez (com uma barriga falsa que lembra uma bola quadrada), negando o ser que carrega em seu ventre e aceitando a proposta de trabalhar em Istambul para controlar Javadi de perto; Quinn e Dar sendo tão úteis quanto antes; Saul curtindo sua vida como nunca pode curtir e Lockhart finalmente admitindo o posto de diretor da CIA.

Mas nenhum desses acontecimentos foi tão relevante quanto Carrie desenhando uma estrela para homenagear Brody, um ato tão simples e tão grande, impactante e cheio de significados, que se eu fosse falar daquele momento da forma que eu acho que deveria, poderia escrever uma tese de mestrado e ainda não acharia o bastante, tamanha perfeição que esse gesto representa.

Encerrando sua irregular terceira temporada com dois incríveis episódios, Homeland encerra seu primeiro ciclo e abre caminho para uma “nova” série que só conheceremos de fato no próximo ano. Honestamente, não tenho certeza se irei continuar com a série, pois essa season finale teve tanta cara de series finale que tenho medo de continuar e me decepcionar ao ver que a série continuou apenas para arrecadar mais dinheiro ao canal, sem se preocupar com a qualidade do produto que está sendo apresentado. Estando eu no comando ou não, espero que vocês retornem na próxima temporada para ler as reviews da série.

Observações:

– Toda a paixão que as pessoas de Teerã mostraram à Brody no 3×11 me pareceu um tanto forçada e desconectada com o clima de realidade que a série tenta passar;
– As palavras que Javadi falou para Carrie ao tentar impedi-la de falar com Brody no 3×12 não me pareceram algo que realmente sairia da boca de um personagem como ele.
– ★

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