Review: Homeland 3×09/10 – One Last Thing / Good Night

Homeland 3x09

A recuperação de Homeland.

3×09

Depois de o roteiro ter encontrado uma forma de trazer Brody de volta aos USA, fiquei bastante curioso para saber qual seria a função dele a partir de agora e não posso deixar de dizer que estou um tanto decepcionado por ele ter voltado para a função de agente duplo, pois esperava algo diferente, mas ainda assim é uma decisão bastante válida e coerente.

Durante o tempo que passou em Caracas, Brody tornou-se um viciado em sedativos e o primeiro passo para ele ficar pronto era desintoxicá-lo. E posso dizer que essa foi uma das desintoxicações mais chatas e longas que eu já vi na TV. Foi preciso mostrar esse processo, claro, mas foi bem mais longo do que deveria, principalmente pelo fato de ter sido solucionado tão facilmente. Não havia a necessidade de criar um clima de tensão para aquele momento ou até deixa-lo tão longo, visto que nada de substancial aconteceu e que coisas mais importantes e mais interessantes já tiveram seu tempo em tela suprimido.

Falando agora de Carrie, como tinha dito na review passada eu torci para que ela perdesse o bebê quando ela foi atingida, mas gosto bastante da personagem a ponto de querer vê-la sofrendo mais ainda, então foi com certo alívio que recebi a notícia de que ela não tinha perdido a criança, mesmo que ainda tenha que esperar o ferimento no ombro se curar. Seu diálogo com Lockhart foi bem desinteressante e a cena poderia ter sido deletada se ele não tivesse mencionado Caracas durante a conversa.

Essa menção à Caracas levou Saul a descobrir que ele tinha sido grampeado pelo amante de sua esposa, sendo que esse estava passando as informações para Lockhart. Confesso que fui levemente surpreendido por isso, pois não imaginava que ele estaria sendo vigiado para tal objetivo, principalmente levando em conta que o tal Alain é um estrangeiro. Mas era o trunfo que Saul precisava (e que eu esperava) para que ele ficasse mais tempo na diretoria da CIA, e ainda teve direito a um espaço para o personagem se mostrar menos racional, ao proteger sua esposa de tal escândalo.

Voltando à Carrie, a missão dada para ela de “re-recrutar” Brody foi o acontecimento mais importante desse episódio, pois além de saber que ela realmente conseguiria fazer isso (usar Dana para conseguir só me fez amar ainda mais essa personagem), finalmente senti que a série poderia trazer de volta aquela tensão tão presente nas temporadas anteriores (e tão ausente aqui), já que, querendo ou não, a relação entre ambos foi responsável pelos melhores momentos da série, e aqui não foi diferente.

Antes de vermos a dinâmica dos dois, o episódio não fluía bem, parecia longo e mais esticado do que deveria, mas a partir do primeiro momento onde os vemos junto em cena, tudo muda. O clima se torna mais agradável, começa a ser criada uma tensão, no envolvemos mais com o que está se passando em tela do que tínhamos nos envolvido nos episódios anteriores, etc.

Isso só prova que, apesar de a série ser focada numa trama de guerra, pouco vale se não tivermos um lado frágil na trama, que no caso é a relação entre Brody e Carrie, pois apesar deles serem os protagonistas, são alguns dos poucos personagens com os quais realmente nos importamos e que realmente deixam a emoção tomar de conta das suas ações, ou seja, com eles, a capacidade de criar uma tensão é bem maior do que com os outros personagens.

Quando vemos Carrie dizendo “te vejo quando tudo acabar”, sabemos que os acontecimentos que ocorrerão a seguir serão bastante tensos e que, provavelmente, nos farão torcer para que essa instável relação continue para proporcionar mais momentos como esses.

3×10

Focado no início da missão de Brody, vimos o personagem tentando entrar no Irã em um episódio mais prático e sem pouco momento para refletirmos sobre a trama em si. Apoiando-se na dinâmica entre Carrie e Brody, o episódio dividiu-se entre ambos para mostrar esta primeira “fase” da missão.

Os primeiros quinze minutos do episódio serviram apenas para a preparação para essa etapa da missão, aonde vimos as peças serem colocadas no tabuleiro. Mas depois disso veio a ação, que trouxe bastante tensão ao episódio e compensou o ritmo lento que nos foi apresentado nos outros episódios.

Desde a abordagem feita pelo grupo que estava tentando atravessar a fronteira com Brody até a travessia, passamos por momentos onde temíamos pelo futuro de Brody, pois após ver seu ataque de ansiedade, cheguei a duvidar se ele seria capaz de completar sua missão. Felizmente eu estava enganado, e ele, confiando que Carrie iria resgatá-lo, arriscou tudo para concluir essa primeira parte do plano e conseguiu obter êxito nisso.

Do outro lado dessa missão, ver as expressões faciais de Claire Danes, imprimindo à sua Carrie um tom bastante melancólico e tenso, apenas contribui para o clima já construído no outro núcleo da trama. Aliás, é interessante perceber o contraste dessa expressão facial com sua voz, pois enquanto o rosto demonstra uma pessoa com pouco controle emocional, a voz transmite uma firmeza assustadora para alguém que parece estar tão abalada, e isso é uma das várias coisas que torna Carrie uma personagem tão interessante e Danes uma intérprete tão digna de elogios.

Partindo para uma visão mais geral, mostrar a Casa Branca interferindo diretamente nas ações da CIA era algo que eu teria gostado de ver há algum tempo, pois quando eles resumiam essa participação a alguns diálogos me passava uma sensação de que essas interferências eram pouco importantes ou significativas, o que nem de longe elas são. Ainda que a CIA tenha dado uma de Carrie e ignorado as ordens dadas, isso me pareceu um aviso de que o governo será mais ativo quanto às ações das equipes.

Faltando dois episódios para o fim dessa temporada irregular, Homeland consegue ressurgir das cinzas e voltar a nos empolgar e nos fazer criar grandes expectativas para esses últimos episódios. Expectativas que espero que sejam correspondidas.

Observações:
– No 3×09 ignorei o diálogo entre Dana e Brody e o treinamento dele porque não achei que havia o que comentar sobre;
– Em ambos os episódios Quinn só era uma ponta sem função alguma;
– Dar Adal tem a função de consciência das pessoas, é isso?

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