Review: Homeland 3×07/08 – Gerontion / A Red Wheelbarrow

Homeland 3x07

Um brinde ao retorno de Homeland à boa forma.

Decepção, enrolação, introdução, show de atuação (de Danes, digasse de passage diga-se de passagem), desenvolvimento lento e após 6 episódios de “apenas” isso, Homeland finalmente decidiu dar um passo mais relevante nessa temporada e nesses últimos dois episódios conseguiu nos fazer vislumbrar o melhor de Homeland. Em um episódio, a decepção que eu havia tido foi evaporada rapidamente, já no outro, a trama avançou mais do que no restante da temporada.

No 3×07, vimos que o plano de Saul tinha mais camadas do que pensávamos. Para mim, que realmente pensei que aquela situação estava se transformando em um embate pessoal (e ainda não descartei totalmente essa possibilidade), foi um alívio ver que a trama política continua se sobressaindo e perceber que os planos dos roteiristas para a série estão mais ambiciosos, pois ao colocarem um espião no Irã, surgem várias possibilidades para o futuro da série, boas e ruins.

Dentre as ruins, há o fato de que, se o plano der certo, será fácil demais, óbvio e até estúpido demais; se der errado, fomos enrolados por um bom tempo sem nenhum propósito. Dentre as boas, se o plano der certo, podemos ainda contar com o fato de que Javadi não é confiável e que poderá tentar se livrar dessa situação o quanto antes, o que geraria certa dose de tensão; ou então podemos ser surpreendidos pelo fato do Irã já estar um passo a frente dos USA e ter previsto esse plano, o que geraria um plot twist pra ninguém botar defeito. Não sei qual dos lados a trama vai seguir, mas pelo menos ela já valeu por ter reforçado o drama político da série, além de nos ter proporcionado o momento impagável com o futuro diretor da CIA.

Falando mais sobre o que aconteceu nesse episódio, os assassinatos que Javadi cometeu caíram sobre Quinn, que está cada vez mais deixando o lado emocional do personagem transparecer, o que tem um efeito nulo em mim, visto que nunca gostei dele para me importar com isso, mas é bom ver o personagem sendo explorado em outros âmbitos. Fara recebeu mais destaque aqui, sendo manipulada emocionalmente por Javadi, eu realmente cheguei a pensar que a personagem tentaria mata-lo durante aquela cena, mas depois percebi o quão estúpida seria essa ação.

Pra terminar de falar sobre esse episódio, tivemos Carrie sendo uma “mera” coadjuvante (entre aspas, porque de “mera” ela não tem nada), tendo a trama da gravidez sendo mais explicitada aqui, mas é algo que abordarei melhor quando falar do próximo episódio. Saul está sendo traindo (ou levando chifres, como preferir) e eu estava andando para isso até ver o episódio seguinte, pois até aqui só estava pensando que era um artifício para justificar os 50 minutos de episódio.

O 3×08 já era, de longe, o melhor episódio da temporada desde seus primeiros 10 minutos, pois finalmente decidiram ir atrás de quem teria sido o verdadeiro responsável pela explosão na CIA, algo que eu esperava desde o início da temporada. A construção do plano, a participação de Carrie, o uso da rede iraniana… Tudo estava em seu lugar e funcionou perfeitamente. Os diálogos entre Carrie e os seus “contatos” na rede iraniana foram momentos bastante tensos, principalmente pelo fato da personagem estar tão afetada emocionalmente, que ela deixa algumas brechas preocupantes (ao menos para nós) em alguns argumentos, abrindo interpretações perigosas para o ouvinte.

Ainda falando de Carrie, alguém ficou surpreso dela já estar grávida por 3 meses? Eu jurava que era do carinha avulso que ela pegou nas escadas, mas os roteiristas sambaram em minha face e colocaram a possibilidade do bebê ser de Brody (zzz). Achei essa possibilidade tão frustrante que, quando ela foi atingida por um tiro no final do episódio, cheguei a torcer para ela perder o bebê, mas aí percebi que estava sendo indelicado demais e que a Carrie já sofreu muito nessa vida e merece um momento de felicidade. Vamos esperar para ver se os roteiristas foram ou não tão indelicados quanto eu fui.

Fara teve uma ótima evolução aqui, pois apor ver sua rotina na CIA, saber que ela tem uma vida onde ela cuida do pai foi meio impactante para mim. Agora, falando sério, transformar esse embate ideológico entre dois países numa discussão quase que trivial entre pai e filha foi uma sacada bem inteligente e criativa do roteiro, e são esses detalhes que fazem com que a série conquiste meu respeito cada vez mais.

Assim como no último episódio, a trama de Saul é a mais relevante para a história. Aqui o vimos voltar com sua esposa (alguém realmente se importa com isso?), e vimos que ela voltou atrás na decisão de continuar a trai-lo com um avulso qualquer… Mas eis que, em um momento inesperado, esse avulso qualquer demonstra que pode estar mais envolvido com a trama do que o que se pensava inicialmente, pois ele hackeou o computador pessoal da casa do Saul. Resta saber se isso é para vigiar a sua amada (estúpido, mas vamos considerar, mesmo que minimamente) ou para vigiar Saul (o mais óbvio e mais coerente).

Mesmo assim, Saul tinha ficado de escanteio no episódio por boa parte dele, e mesmo aproveitando belissimamente seus últimos dias no comando da CIA (o que é o embate dele com o futuro diretor da agência?), esse “sumiço” já estava me deixando preocupado com o que viria pela frente, com Carrie chegando a mencionar que estava achando muito estranho Saul não comandar aquela ação. Quando a última sequência do episódio começou e eu vi aquele portão se abrindo, já pensei em um palavrão que não direi aqui, mas que certamente deve ter passado pela mente de todos, pois finalmente reveríamos Brody, que apesar de ser um personagem chato, a menos pra mim, é importante para a série, e sua ausência já estava um tanto exagerada.

E, após vários episódios, após toda a expectativa criada sobre a sua aparição nos últimos minutos do episódio, finalmente revimos Brody, e a impressão foi a pior possível. Após passar tanto tempo enclausurado, o personagem parece mais um cadáver do que um ser vivo, e sua aparição levanta alguns questionamentos como: Saul sempre soube onde ele estava? Será que Brody retornará aos USA com ele? Se sim, Brody será preso ou não? Essas e algumas outras perguntas foram levantadas nesses últimos dois episódios, resta saber quais serão suas respostas, mas isso fica para a próxima review.

Observações:
– Dar Adal é o coringa da série, né? Tem alguma função sobrando? Não se preocupe, Adal ocupará ela;
– Apesar de saber que Carrie não morreria, o tiro que ela recebeu doeu em mim;
– Quando Javadi entrou no avião eu jurava que ele iria explodir.

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