Review: Homeland 3×03/0405 – Tower Of David/Game On/The Yoga Play

Homeland 3x05

Quando o maior problema da série são suas pretensões

Que Homeland está demorando em fazer a temporada engrenar, não há como negar, mas nem de longe está sendo uma temporada ruim e esses três episódios provam isso.  Ainda que a virada no final do quarto episódio não seja tão fácil de engolir assim (principalmente pela continuação dada a ela no 5º episódio), esses três episódios mostraram muito do que a série pode ter de melhor.

Começando pela trama e pelo personagem que dominou o terceiro episódio, vimos Brody fazendo o que faz de melhor: sobreviver. O cara já passou anos sendo torturado física e psicologicamente, e mesmo após isso continuou passando por uma enorme pressão ao trabalhar como agente duplo (fosse para os terroristas ou para o governo dos USA), mas como se isso não bastasse ele continua se dando mal.

Após ter sido atingido por um tiro, Brody agora se viu enjaulado em sua nova realidade, pois mesmo tendo saído momentaneamente das garras do governo estadunidense, o personagem se encontra mais preso do que imaginaria. Mesmo contando com uma presença que lembra de Dana (embora esta presença não corresponda com o mesmo sentimento), nada naquele lugar lhe faz minimamente feliz ou mais confortável. E mesmo tentando sair daquele lugar, o personagem se encontra mais encurralado ainda, pois aqueles que ele pensava que os ajudaria, não são mais confiáveis.

Antes de terminar de falar dele, irei elogiar o trabalho de Lewis aqui, pois mesmo que esteja longe do patamar que Danes esteja (devido mais a diferença de construção de personagem do que a qualquer outra coisa), ele conseguiu tornar um episódio maçante em algo mais suportável por entregar um trabalho tão crível e tocante a todo o momento. O olhar sem esperanças, perdido e até mesmo sem vida, mostra o quão longe ele poderia ter ido se o personagem o desafiasse mais.

Indo para a tão polêmica e odiada trama de Dana, não há como negar que ela teve um bom desenvolvimento, chegando a fazer com que eu me interesse pelo drama da personagem. Confesso que achei a fuga dela com Leo um tanto aleatória demais de início, mas após compreender que ela estava passando novamente pela decepção de confiar em um mentiroso, fez um maior sentido da inclusão dessa trama. Não tenho ideia até onde isso levará Dana, mas se a garota já não estava bem antes, imagine agora.

Deixando Dana de lado, o que eu quero focar é no seu companheiro de viagem, pois não creio que ele vá desaparecer agora. Achei que eles focaram demais no drama de Leo ter matado seu irmão para deixar isso de lado sem mais nem menos, aposto que irão nos mostrar mais disso e já prevejo uma vibe psycho para as próximas aparições do personagem.

Antes de falar de Saul e Carrie separadamente, vou abordar o plano deles que, apesar de ser uma sambada na cara da sociedade, pode ser gratuita e mal preparada e os primeiros indícios disso já apareceram no 5º episódio. Se já era difícil de engolir essa virada na trama por ela só, o fato deles darem a entender que isso foi planejado antes de Saul falar para todo o país que Carrie tinha um caso com Brody só deixa isso quase impossível de aceitar. Quer dizer que a cena dela chorando sozinha na casa dela foi dispensável? Achei uma decisão equivocada e que tira boa parte do efeito desse início de temporada.

Agora sim dando espaço para a trajetória individual, começarei pela de Saul que está longe de ser melhor que a de Carrie. Além de comandar uma agência que está em declínio, passar por toda a burocracia que isso implica e ainda ser “gentilmente” dispensado da mesma, tem que lidar com a pressão constante de Dar Adal (que até agora não mostrou a que veio), com a situação entre ele e sua esposa… Enfim, o cara talvez esteja mais ferrado que a Carrie.

Ao comandar o plano, Saul resgata a dualidade que o personagem havia perdido nesse início de temporada, pois passamos um tempo achando que ele não se importava com Carrie, chegando até a crer que ele faria de tudo para prejudica-la, tudo isso para depois pensarmos no oposto. Ao mesmo tempo em que se preocupar com ela no final do episódio 4 e recrutar Peter no episódio 5 pareçam atitudes de alguém que se preocupa com a segurança dela, o final do 5º episódio joga essa certeza abaixo ao mostrar que ele não estabelecerá limites a levar o plano em frente, mesmo que isso implique em prejudicar a agente.

E falando naquela que, após passar anos dividindo o posto de protagonista com Brody, mostrou que pode muito bem segurar esse posto sozinha, temos Carrie sendo o peão mais indispensável desse jogo de xadrez. Na torturante estadia que passou na clínica, ela recebeu uma proposta de basicamente trair os USA fazer parte de um time que quer destruir o país.

Depois do debate que ela teve com o agente que foi visitá-la, onde ela sustentou o discurso “sou patriota e não largo isso por nada” achei um tanto rápida demais a aceitação da proposta após eles a terem tirado da clínica. Mas eis que após o plot twist no final do 4º episódio isso fez um pouco mais de sentido, ainda que eu ache que eles devem ter passado a desconfiar mais dela após essa rápida mudança de pensamento.

Após essa revelação de que tudo isso fazia parte do plano (essa frase é tão canastrona), ver Carrie em ação ficou tenso, muito tenso. Desde o início do 5º episódio ficou claro que Carrie estava num caminho duvidoso, eu estava esperando que em algum momento aparecer alguém em qualquer lugar e a sequestrasse, tanto que quando isso aconteceu no final do episódio fiquei um tanto decepcionado.

Decepções a parte, esse cliffhanger promete trazer de volta a Homeland de outrora e nos apresentar reviravoltas atrás de reviravoltas (e justificáveis, destas vezes), assim como vimos nas temporadas anteriores, assim como merecemos ver, por continuar apostando na série.

Observações:

– “She’s always been on her own”, Saul sobre Carrie;
– Querida Claire Danes, só queria dizer que eu te amo;
– Só eu achei que a muçulmana que entrou pra CIA iria receber um maior destaque?;

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