Filmes que vi na semana (09/09 à 15/09)

Terminando de ver os filme que foram indicados ao Oscar de melhor filme, concluo que a Academia fez uma das melhores escolhas em anos. E ainda deu tempo para ver um filme “menor”.

Histórias Cruzadas é um filme que abusa de clichês (de todas as formas possíveis), tem um roteiro fraco, uma trama batida, uma direção bastante amadora e vários outros defeitos que fariam este texto chegar a mil palavras sem o menos esforço. Mas, surpreendentemente, é uma experiência agradável e que consegue envolver o espectador em certos momentos.

E o que mais contribui para que essa experiência seja bem sucedida é o seu elenco, que conta com boas/ótimas performances da maioria de suas atrizes (porque não teve nenhum ator realmente relevante aqui). Começando por Davis que é o grande destaque do filme, com uma atuação contida na maior parte, a atriz consegue transmitir toda a dor da personagem com seu olhar triste mas firme, ou com sua voz que, vez ou outra, exibe um tom cansado refletindo o seu cansaço com a vida que leva.

Outras também fazem bons trabalhos, como Chastain, que faz a patroa boazinha, um papel que já vimos várias vezes em outras películas, mas que aqui é salvo pelo talento da intérprete. Stone está bastante carismática como Eugenia “Skeeter” e não fica apagada quando divide a cena com Davis. Bryce Dallas Howard ora está bem e consegue passar certa veracidade à personagem, ora é uma caricatura e irrita bastante. Octavia Spencer faz um personagem tão comum e entrega uma atuação tão comum que chega a ser risível o Oscar que ela recebeu, se ela mereceu um por essa atuação, então é possível dizer que Regina King merecia um por A Nova Cinderela [/exagero].

Apesar de ser uma experiência agradável, Histórias Cruzadas tem poucas coisas que marcam o espectador, e duvido que alguém se lembre del alguma coisa a mais do que Viola Davis daqui a alguns anos.

Avaliação: 7,0/10

Excetuando a atuação de Bichir, estava com expectativas quase nulas para esse Uma Vida Melhor, então me surpreendo com um filme que tem um saldo final patinando entre o “bom” e o “razoável”. Em suma, o filme conta a história de Carlos Galindo, um imigrante ilegal que batalha para viver nos EUA longe dos agentes da imigração. Ao ler essa sinopse pode-se imaginar que o filme penderia para o lado do drama forçado e de final feliz. Felizmente, não é o que acontece aqui.

Weitz (que também dirigiu o divertido American Pie: A Primeira Vez é Inesquecível e o péssimo Lua Nova) deu ao filme um tom cru, não há maneirismos ou alegorias, é a vida sendo tratada da forma mais realista possível. E isso é tão benéfico quanto prejudicial, já que esse realismo flerta perigosamente com frieza, o que pode passar (e passou, ao menos para mim) uma certa insensibilidade diante da situação vivida pelos personagens e ainda é responsável por deixar o ritmo do filme irregular. Mas há momentos onde a película transborda sensibilidade, mesmo dentro desse clima que nos é apresentado.

A escolha de Bichir e Julián para interpretarem os protagonistas revela-se acertada, pois eles funcionam muito bem como pai e filho e com suas tramas paralelas. Bichir carrega durante boa parte do filme um semblante sério, mas que não impede o público de simpatizar pelo personagem facilmente; já Julián surge um tanto clichê no início, mas vai crescendo com o passar do filme.

Tinha potencial para ser uma pequena pérola, mas infelizmente as característica que Weitz deu ao filme o limitaram bastante e o tornaram uma experiência apenas satisfatória.

Avaliação: 6,5/10

No final de 2011, O Homem que Mudou o Jogo começou a figurar em várias listas e premiações de melhores do ano, o que gerou, em mim, uma curiosidade em vê-lo. Mas havia uma dúvida: será que eu (e tantos outros) seria capaz de entender o filme sabendo pouco ou nada de baseball? A resposta é sim, pois aqui, embora seja importante para a trama, o esporte é o plano de fundo para o desenvolvimento da história de Billy Beane (Pitt).

Começarei elogiando o roteiro de Sorkin e Zaillian, que tem ótimos diálogos (o que foi aquela cena das negociações?!) e desenvolve todos os personagens satisfatoriamente. Também elogiarei a direção de Miller que é bastante precisa e acerta ao criar tensão durante vários momentos do filme. Mas tudo isso seria em vão se o elenco fosse meia-boca, o que não acontece aqui.

Pitt protagoniza o filme com bastante talento, inicialmente personificando Beane com um ar de tristeza e um certo conformismo que gradualmente transforma-se em euforia. Temos um Jonah Hill contido e sério interpretando corretamente o “criador” do método adotado por Beane, nem de longe lembra aquele ator que interpreta o gordinho engraçado em filme de “comédia”. Seymour Hoffman pouco aparece se comparado aos dois supracitados , mas brilha no tempo que permanece em tela. O restante do elenco também não decepciona e entrega boas atuações, principalmente a garota que interpreta a filha de Beane que consegue marcar a personagem em mínimas aparições.

Ótimo elenco, um roteiro espetacular, uma direção acertada, trilha sonora impecável…. Mesmo com alguns equívocos aqui e ali O Homem que Mudou o Jogo foi uma bela surpresa.

Avaliação: 8,0/10

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s