Filmes que vi na semana (29/07 à 04/08)

Uma das semanas mais interessantes do ano.

A Última Tentação de Cristo é uma daquelas obras com potencial para serem incríveis, mas que, por algum(ns) motivos, são “apenas” boas. Os motivos que levam essa obra a se encaixar nesse perfil são (principalmente): a duração extensiva e a direção excessivamente correta de Scorsese.

Cortar 30 minutos do filme não atrapalharia em nada sua execução, pelo contrário, a tornaria mais eficaz. Alguns diálogos e algumas sequências são mais longos do que deveriam, como a conversa entre Jesus e Maria Madalena e a estadia de Jesus no deserto. E a direção de Scorsese pouco ajuda. Excetuando-se o 3ª ato, ele está pouco inspirado e muitas vezes parece estar dirigindo no piloto automático, ainda espero ver um trabalho melhor dele.

Poucas vezes vi Jesus ser tão bem retratado quanto aqui. Com uma ótima atuação de Willem Dafoe (talvez a melhor de sua carreira), vimos um Jesus humano e mais interessante, seu conflito interno e sua relação com Judas (Harvey Keitel) são alguns dos melhores pontos do filme. O ponto mais controverso do filme é o seu maior acerto: o 3º ato, onde Jesus imagina viver casado (2 vezes) e com filhos.

Os cristãos mais fervorosos ficaram revoltados com isso, dizendo tratar-se de uma blasfêmia, uma afronta contra a Bíblia, etc, etc e etc… Mas se enganaram ao fazê-lo, pois este ato torna o sacrifício de Jesus muito mais belo e poético.

Mesmo com esse belíssimo 3º ato, o filme termina sendo uma boa experiência, ainda que um tanto decepcionante por não ter usado todo seu potencial.

Avaliação: 7,0/10

Quando comecei a ver Frost/Nixon pensei que esse era um daqueles filmes que tem bastante valor histórico e pouco valor cinematográfico, mal sabia que estava errado. Logo no 1º encontro entre David Frost e Richard Nixon fui convencido de que estava diante de uma obra, no mínimo, respeitável.

Durante os 2 primeiros atos vimos a preparação para a entrevista entre David e Richard, a cada minuto cresce a expectativa para ela e quando ela chega não decepciona. Com Sheen e Langella preenchendo a tela de talento, o quarto final da entrevista é o melhor do filme. Frost e Nixon travando uma verdadeira batalha foi incrível, mal dava para respirar, tamanha intensidade da cena.

Howard deixa de lado todos os exageros de sua direção e aposta em algo mais contido. Poucas vezes a câmera se move e Howard prefere closes no rosto dos atores, reforçando a maior força do filme, que são as atuações. O roteiro é satisfatório ao todo, mas tem alguns diálogos excepcionais que ficarão marcados na cabeça de alguns espectadores.

Com os excelentes trabalhos de Howard, Sheen e Langella, Frost/Nixon foi uma grata surpresa nessa semana.

Avaliação: 8,0/10

Em seus primeiros minutos, Magnólia já havia me conquistado, então seria muito fácil uma decepção vir logo em seguida. Mas Paul Thomas Anderson dirige o filme brilhantemente e nunca deixa a qualidade da película cair.

Desde já, aviso que este parágrafo terá spoilers, portanto, se não tiver visto o filme, sugiro que pule para o próximo. Somos apresentados a várias histórias que, aparentemente, pouco tem a ver uma com a outra, mas em certo momento elas se cruzam. E nos últimos minutos do filme, acontece algo que interfere em todas elas: começa a chover sapos! A primeira coisa que pensei quando vi isso, foi que essa chuva representava o “acaso” mencionado na sequência inicial do filme, mas achava isso algo um tanto superficial para um filme do estilo. Então fui procurar críticas sobre o filme, e de Pablo Villaça apresentou uma teoria (?) que creio ser a mais correta, e você pode lê-la aqui.

Em Boogie Nights – Prazer Sem Limites Paul Thomas Anderson conseguiu tirar o melhor de seu elenco, aqui não faz diferente. Dentre tantas atuações excelentes, destaco: Moore, Hoffman, Cruise e Hall. Moore tem em mãos a personagem mais interessante do longa e não decepciona, Hoffman emociona com um simples olhar, Cruise entrega a melhor atuação de sua carreira e Hall consegue transmitir com excelência todas as frustações de seu personagem.

Dirigido com uma excelência singular, brilhantemente atuado e bastante envolvente, Magnólia é uma daquelas experiências que apenas o Cinema pode proporcionar.

Avaliação: 8,5/10

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Um comentário sobre “Filmes que vi na semana (29/07 à 04/08)

  1. Ei, ei, tudo bom cara?
    MAGNÓLIA é uma das obras-primas máximas do cinema e não estou exagerando, P.T Anderson é o melhor diretor atualmente do cinema americano.

    FROST/NIXON – eu não esperava nada também, muito por ser um filme de Ron Howard (não é pra menos que esse é o seu melhor filme) excelente elenco, Peter Morgan como sempre não deixa a desejar no texto, um dos melhores filmes do ano.

    E quanto ao filme do Scorsese, esse foi um dos poucos que não conferi.

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